quarta-feira, 2 de setembro de 2015

UMA NOITE MÁGICA

Texto coletivo do 7ºC, enviado para o concurso "Uma aventura literária", Caminho

Aquela noite, naquele final de outono, surgiu insuportável e medonha. Os ventos varriam os telhados, os raios interrompiam a escuridão, os trovões impediam o sono das pessoas e as chuvas lavavam tudo à sua volta.
No céu negro, até a lua se tinha recolhido para se abrigar da tempestade. Nada se vislumbrava. Só trevas. E medo, muito medo.
Quando, de repente, uma luz apareceu a piscar.
Eu estava sentada na minha cama, receando a escuridão. Olhei pela janela e vi a estrela a brilhar, lá bem no alto.
Aquela estrela parecia que queria entregar-me uma mensagem ou guiar-me. Foi então que eu vesti a primeira peça de roupa que me veio à mão, saí do quarto em bicos de pés, para não acordar os meus pais que estavam no quarto ao lado.
Cheguei ao jardim e os meus dentes bateram como castanholas.
Sem hesitar, fui atrás da luz. Apesar do frio que se fazia sentir, e do vento que me arrastou para ali, cheguei a um local que bem conhecia. Aquela luz, surgida do nada, conduzira-me à Biblioteca Municipal.
Nem sabia por onde entrar! Pela porta principal? Pela porta de emergência? Ou por uma janela? Não sabia. Só sabia que algo me impelia a entrar. E não era a tempestade!
Optei pela entrada mais fácil: a porta principal. Mas, não estava à espera que fosse assim tão fácil! Empurrei-a e fiquei impressionada pois a porta estava apenas encostada. Então, pensei:
- Será que deixaram a porta aberta? Não me parece! Mas vou entrar na mesma, quem não arrisca não petisca.
Entrei na biblioteca, ouvia-se um silêncio assustador. Entretanto, um estrondo ecoou e parecia-me vir da sala principal onde vivem todos os livros que me têm preenchido a imaginação.
O meu coração disparou mas sabia que naquele local enfeitiçado nada tinha a temer. Estavam ali todos os heróis das histórias. Então, caminhei corajosamente. Mas, onde estaria aquela estrela que tanto me encorajou?
Tinha medo de espreitar, não sabia o que me esperava.
Oh, meu deus!!! Não acreditava no que estava a ver! Na sala principal, onde normalmente reinava o silêncio, um barulho enorme atroava os ares, como se todas as crianças da escola estivessem no recreio.
Havia livros caídos no chão por todo o lado. De repente, mais livros começaram a cair e deles saíam muitas personagens. E a sala, sem luz elétrica, iluminou-se com um brilho tão forte como se o sol lá tivesse ido dormir. Imensos pirilampos acabavam de escapar da sua história e brilhavam intensamente, agradecendo a liberdade inesperada.
Eu queria entrar mas… Se aqueles seres se escondessem quando me vissem? Eles pareciam tão animados, parecia que tinham estado o dia inteiro à espera que este momento chegasse para contarem as suas aventuras uns aos outros. Parecia, até, que os armários, leves, aproveitavam para dançar o resto da noite sem se preocuparem com os livros que caíam.
Decidi aproximar-me. O Pinóquio gritou:
- Escondam-se!
- Calma, calma. Aquela estrela – disse-lhes eu, apontando para o céu - guiou-me até aqui. Não vos quero fazer mal!
Pouco a pouco, começaram a juntar-se a mim a Alice do País das Maravilhas, o Peter Pan, o Harry Potter, a Ariel, o Ulisses, o Principezinho, o gato Zorbas, a Anne Frank, o Cavaleiro da Dinamarca…
Alice foi a primeira a reagir, aproximou-se de mim e convidou-me:
 - Vem comigo tomar um chá e conhecer o chapeleiro maluco.
- Não! Vem antes comigo sobrevoar a Terra do Nunca e verás como é bom ficar sempre criança - disse o Peter Pan.
- Porque não vens comigo explorar o mar? Vem ouvir a música das ondas, vem apreciar o arco-íris dos corais e dos peixes, vem mergulhar na serenidade das águas frescas e transparentes do meu reino - contrapôs Ariel.
- Sim, vem comigo e ao conduzo-te ao reino da Ariel. Vais conhecer as sereias mas, atenção, não te deixes enfeitiçar!...- aconselhou o Ulisses.
- Para enfeitiçar estou cá eu! – ripostou Harry Potter. - Com o meu manto da invisibilidade, poderás ir aonde quiseres!
Os convites sucederam-se e eu olhava para todos sem saber o que pensar.
- Nem acredito que estais aqui comigo. Tenho vivido a minha vida a sonhar com todos! Embarquei e fui marinheira, aventureira, pirata, mágica, fada, feiticeira... Convosco voei e perdi-me num mundo encantado. Conheci a amizade e a coragem. Nem dormia! Ficava na minha cama, de olhos abertos, à espera da próxima aventura. E imaginava que era eu a viver cada uma delas. Por isso, já não preciso de vos acompanhar. Já fui. Sou uma devoradora de livros.

Entretanto, a manhã acordou mais calma e um atrevido raio de sol tentava furar as grossas nuvens que ainda cobriam o céu. Acordei estremunhada e não entendi por que motivo a janela do meu quarto estava aberta e todos os livros da minha estante tinham caído e se encontravam no chão.